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Impotência, testosterona, viagra...
Reportagem: Carlos Peixoto
22/11/2002

"Homens com problemas sexuais têm dificuldade em procurar ajuda". A constatação é do médico Sidney Glina, um dos maiores especialistas brasileiros em disfunção erétil e que presidiu, no período de 2000-2002, a Sociedade Mundial de Pesquisa sobre Impotência e Sexualidade. Mas, o que é disfunção erétil? Trata-se de uma doença conhecida e temida por muitos homens: a impotência. Ninguém morre de impotência, mas homens com problemas de ereção não têm boa qualidade de vida. "Esses homens cuidam-se menos e tomam menos medicamentos para suas doenças do que os pacientes que tratam de seus problemas sexuais", diz ele.
Sidney Glina é um dos autores do livro "Disfunção Sexual Masculina", trabalho que dividiu com mais três médicos - Pedro Puech-Leão, Eduardo Pagani e José Mário Siqueira Marcondes Reis. Trata-se de uma obra científica, lançada pelo Instituto H.Ellis (http://www.instituto-h-ellis.com.br/) e  programada, inicialmente, para ser um manual sobre prótese do pênis mas que se transformou num tratado sobre a disfunção sexual masculina.
Especialista e pesquisador na área da impotência e nos seus tratamentos, Glina falou ao Fantástico On Line sobre temas que muitos homens, ainda hoje, evitam. Para começar, o médico tratou da reposição hormonal, problema que é comum nos homens que atingem a chamada andropausa, que seria a menopausa masculina.

Houve o anúncio, recentemente, de que a Anvisa tinha liberado a comercialização no País de um gel de testosterona. O senhor conhece algum produto novo a base de testosterona?
S.G:
Recentemente foi lançado um gel à base de testosterona do Laboratório Enila e chama-se Androgel. É aprovado pela Anvisa, com indicação para a reposição da testosterona, que só é usada em cerca de 20% dos homens com mais de 50 anos, que são os que apresentam níveis baixos da testosterona. Raramente é indicado no tratamento da disfunção erétil.

Quais são os riscos e as recomendações  da reposição hormonal por injeção?
S.G.:
A reposição hormonal masculina, seja por via oral, gel, patch (adesivo), ou injeção, só está indicada para aqueles homens que apresentam sinais e sintomas da falta de testosterona, cujos principais sintomas são: perda da libido, perda da memória, diminuição da massa muscular, osteoporose entre outros. A falta de testosterona deve ser comprovada por exames de dosagem do hormônio. Os riscos da reposição hormonal inadequada são: piora ou crescimento de um câncer prostático localizado, piora da apnéia do sono, aumento da produção da fração ruim do colesterol e aumento da viscosidade sanguínea, pelo aumento na produção de glóbulos vermelhos.

Ginseng, catuaba, ioimbina, amendoim... Esse tipo de tratamento tem efeito comprovado?
S.G.:
Não existem estudos clínicos que comprovem a eficácia destas receitas caseiras.

Quando é recomendável o tratamento psicoterápico? Ele deve ser associado a outro tipo de tratamento ou nem sempre é necessário?
S.G.:
O tratamento psicoterápico para a disfunção erétil está indicado para a grande maioria dos quadros de origem emocional. Alguns casos mais simples, ou no caso da dificuldade de ereção se manifestar apenas com uma determinada parceira ou em determinada situação, podem ser resolvidos com o uso temporal de algum medicamento, como, por exemplo, o Viagra ou Uprima. A associação da psicoterapia com medicamentos é bastante utilizada atualmente e alguns autores acham que esta tática diminui o tempo de tratamento.
E quando é o caso de tratamento cirúrgico?
S.G.:
O tratamento cirúrgico da disfunção erétil hoje restringe-se basicamente ao implante de prótese. Este tratamento está indicado apenas nos casos de impotência orgânica, como, por exemplo, na neuropatia diabética ou após a prostatectomia radical.

Por que medicamentos como o Viagra ou o Uprima fazem tanto sucesso?
S.G.:
50% dos homens têm alguma queixa em relação à sua função erétil. Isto faz com que medicamentos que facilitem a ereção tenham um grande apelo.

Esses medicamentos estariam sendo consumidos por um público masculino muito jovem. Os médicos têm uma explicação para isso?
S.G:
Parece-me que grande parte dos usuários destes medicamentos é de homens que se consideram normais e que querem melhorar a performance. Um amigo meu, teoricamente normal, diz que toma Viagra para ter uma segunda ereção mais rapidamente. Uma outra parte considerável é de jovens inseguros quanto sua capacidade sexual e que usam os medicamentos como um apoio.

Há forma natural de manter elevados os níveis sanguíneos de testosterona?
S.G.:
A grande maioria dos homens mantém níveis de testosterona adequados para as necessidades de sua faixa etária. O ideal é procurar manter a saúde por inteiro. Isto irá repercutir na manutenção da saúde hormonal.

Qual é a maior dificuldade hoje para o tratamento da disfunção sexual no Brasil? 
S.G.: A grande dificuldade que se tem hoje em dia é porque o enorme número de homens com problemas sexuais não procura ajuda. Na realidade, estes homens até procuram ajuda médica por outras razões (diabete, hipertensão, etc), mas não se queixam da dificuldade de ereção por vergonha. E pior, os médicos também não perguntam, porque os próprios médicos não acham que problemas sexuais sejam importantes. Afinal, ninguém morre por causa de uma disfunção erétil. Entretanto a disfunção erétil afeta terrivelmente a qualidade de vida dos pacientes e suas parceiras.

Por outro lado há dados que indicam que homens com dificuldade de ereção cuidam-se menos e tomam menos medicamentos para suas doenças do que os pacientes que tratam seus problemas sexuais. Assim seria muito importante que a classe médica passasse a encarar os problemas sexuais da maneira que devem ser encarados.

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